Em visita ao MASP no dia 14 de junho, não pude deixar de observar a exposição sobre esse pintor espanhol. A exposição propõe um resumo ao longo de sua ampla trajetória criativa. Sendo um artista reflexivo, inquieto e comprometido socialmente, encontrou na pintura seu principal meio de expressão. Nascido em Sevilha, em 1946, e residindo em Madri desde 1960, desenvolveu ao longo de sua carreira uma das práticas pictóricas que se relacionam com o que se poderia denominar pintura expandida ou pintura em ação. Tomando como fio condutor de seu trabalho o “pintar = pensar”, a obra de Quejido tem um claro caráter conceitual e um sentido político mais ou menos explícito, sem renunciar por isso à exploração de valores estéticos.Com esta exposição, tenta-se apresentar um trajeto por intermédio de imagens de um artista que hoje parece ser um pintor intermédio de imagens de um artista que hoje parece ser um pintor independente, inclassificável, pois apesar de seu trabalho ter sido associado a questões sugeridas e complexas, como a de fazer-se representante do lado esquizóide do pensamento estruturalista em contextos underground, gerar reações de divergência com a arte pop, assumir a tradição da geometria abstrata ou expressionismo ou, inclusive, haver sido associado a tentativas de regenerar a recuperação pictórica espanhola. Todavia, sua obra não se atém a razoes impostas fora do espaço discursivo que ela mesma produz. Talvez pó isto parece ter estado a ponto de sofrer certa incomunicabilidade no que diz respeito a outras, em outros lugares do mundo, com as que poderia ter coincidido. É uma circunstância paradoxal que vem a ser característica de certos artistas na história recente da arte espanhola: Não haver comungado com os cânones oficiais do internacionalismo e evitar perambular pelas trilhas do globalismo liberal atual. Uma posição pela qual há de se pagar um alto preço.
Para Quejido, há uma relação íntima da pintura com o pensamento que concebe como se fossem a mesma coisa. De algum modo, pode-se considerar Manolo Quejido como uma espécie de pintor filósofo ou, como ele mesmo escreveu num texto de 2003 também exposto no MASP, “um pensador-pintor, alguém que pensa como pinta e pinta como pensa”. Essa relação com a filosofia marcou profundamente sua obra, na qual sempre foi fundamental a noção de série, de processo, fazendo lembra os princípios do design.












